sábado, 23 de setembro de 2017

Não fui feita para fazer Trabalhos de Casa!!







Podemos estar aqui perante várias situações: trabalho quotidiano em casa: lavar, passar a ferro etc. Mas esta frase remete-nos, quase de imediato, para a problemática do TPC.

Um dos problemas dos TPC (Homework) é que dá a ideia de que qualquer pessoa pode ensinar. Não é verdade! Por isso se marcam tarefas.
Não é qualquer pessoa que ensina a estudar, porque não é fácil e exige formação e competências específicas nos conteúdos a ensinar. Exige conhecer as crianças e os jovens, as suas culturas, mas também vontade de os entender, disponibilidade para ouvir e para compreender o modo como ele e elas aprendem e valorizam o que aprendem.

Os «trabalhos de casa» têm estado presentes em todos os ambientes familiares independentemente do seu contexto social e cultural. No entanto, não têm o mesmo tipo de consequências, positivas ou negativas, em todas as crianças. Os TPC, enquanto prática institucionalizada representam para a maioria das crianças uma sobrecarga de trabalho num tempo que deveria ser para brincar. A escola tem objectivos curriculares, mas as crianças também têm objectivos e expectativas que têm sido ignorados. Neste sentido, o trabalho escolar deve ser feito na escola.

Muitos pais e professores acham que se elas trabalharem muito fora do período escolar vão ter mais sucesso na escola. Mas a realidade não é tão linear. Na maior parte das vezes, fica por alcançar o idealizado. Ou pode, ter lugar um efeito contrário ao pretendido.
Normalmente tem!

DIREITO A BRINCAR E ESCOLHER A BRINCADEIRA

Falar com o dedo no ar

Para falar temos de pôr o dedo no ar. 
Se falarmos todos ao mesmo tempo fica muita confusão e não nos entendem. 
Má comunicação. 
(André)

Crianças e adultos já incorporaram a ideia de que têm direito a falar, embora isso se deva processar com ordem, para que seja perceptível, como elas mesmo dizem.
Esta constatação é um progresso no que respeita aos direitos de comunicação das crianças, porque na escola já houve um tempo em que as crianças tinham apenas o direito de ouvir.
O direito a falar é encarado com naturalidade por toda a gente. É um direito reconhecido e valorizado.
O que devemos defender é que brincar é um direito da criança tão fundamental como o direito a falar, não necessariamente no tempo lectivo, mas no tempo pós-lectivo, no tempo livre. Um tempo em que frequentemente se obrigam as crianças a fazer actividades em tudo semelhantes às do tempo lectivo (pela metodologia que se usa, por não as envolvermos na organização e programação, por serem demasiado orientadas, sem deixar para a criança a hipótese de explorar ....

O que eu de facto gostaria de ver era uma criança a levantar o dedo pedindo para brincar, e que isso fosse reconhecido por ela e pelos adultos, que com ela convivem, como um direito tão natural e tão irrenunciável como o direito a falar, a comer e a ser bem tratado.

Há tempo para tudo e há todas as possibilidades que quisermos mas, neste momento, o ato de brincar não é reconhecido como direito fundamental, porque muitas pessoas têm uma informação muito vaga, limitada e pouco precisa do que significa brincar.
O mesmo sucede, às vezes, com o jogo, que é entendido somente como exercício físico ou desporto, interessante para a saúde ou para o desenvolvimento motor, ignorando o seu potencial como forma inegável de ligação das crianças ao mundo.

Brincar, para a criança, é viver e é tão importante e tão fundamental como qualquer outro dos direitos que consideramos fundamentais e que estão consagrados na Convenção dos Direitos da Criança.

Na verdade, não dar tempo à criança para brincar, não reconhecer esse direito no seu tempo livre, é uma violência tão grave e punível, como não dar de comer ou maltratar fisicamente. Constitui além dessa violência, uma falta de percepção do que significa brincar e da forma como as crianças fazem a leitura da realidade social. As crianças aprendem pela experiência, à medida que vão interagindo com o seu grupo de pares e com os adultos e à medida que vão vivenciando diferentes situações.

Reconhecer e valorizar o acto de brincar é, ainda, dialogar com as crianças numa linguagem que elas entendem.

Falar e brincar com o dedo no ar!!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O inicio às aulas e o TPC


                                             




 ... o Unicórnio
comeu o meu trabalho de casa!


Presença frequente na literatura e filmes de aventuras e ficção o unicórnio surge nas obras de Lewis Carroll, C.S. Lewis entre outros. 

Ligado ao TPC (Homework) leva-nos para esse mundo absolutamente ficcional que representa o desespero com que muitas crianças e jovens hoje encaram a escola e o conhecimento. 

A sigla TPC (trabalho para casa), conhecida no universo de todos, é muito utilizada pelas crianças para brincar e inventar outras designações: trabalho para carecas, trabalho para cábulas, trabalho para camelos, tortura para crianças, trabalho p’ra chatear etc., o que pode ser um indicador de uma reflexão crítica relativamente ao que significa este tipo de trabalho, para elas monótono, difícil, sem sentido e sem qualquer atractivo, roubando-lhes, inclusive, o tempo de brincar. Assim, a forma descontraída e humorística com que utilizam estas designações é uma maneira de relativizar e aceitar este tipo de trabalho, alienante e sem sentido, constituindo a subversão da designação pela manutenção das iniciais (TPC) uma forma de resistência simbólica e difusa a algo que normalmente sentem como hostil.

O Unicórnio literalmente come e engole o assunto, resolvendo assim o problema.
E nós o que vamos fazer?




sábado, 2 de setembro de 2017

Palavras para quê?


terça-feira, 22 de agosto de 2017

Brincar nas férias, usufruir do tempo livre!


BELLONI, Maria Cármen (1994) “Children’s free time and Leisure” In José Machado Pais et al. New Routes for Leisure. Lisboa: ICS.

O objectivo deste texto é compreender como é que as crianças passam o seu tempo quando não estão na escola. A autora parte do princípio que o lazer é um tempo que não envolve actividades obrigatórias, mas sim recreativas, da escolha individual das crianças e que envolvam as suas preferências sem calcular a utilidade, benefício ou necessidade desse tempo. Ou seja, tal como para os adultos, também para as crianças existe um tempo livre, ou seja, um tempo para além do tempo de actividade obrigatória (no caso a escola), mas que tem sido objecto de constrangimentos vários. Um tempo cujo estudo envolve numerosas dificuldades epistemológicas e metodológicas, uma vez que na sociedade moderna os espaços onde as crianças podem tomar as suas próprias decisões são quase inexistentes. A escolha das actividades das crianças é orientada pela família ou pela escola, isto é, pelos adultos. 
Para além disto, os espaços exteriores - sobretudo nas grandes cidades - são considerados perigosos ou escassos, o que condiciona a mobilidade das crianças. Para agravar esta circunstância, muitas das actividades organizadas no tempo fora do tempo escolar são impostas às crianças com o pretexto de contribuírem para o seu desenvolvimento. Por estas razões, a autora considera que devemos pôr em dúvida o uso do conceito de “lazer” quando se trata das actividades das crianças. 

Este artigo, escrito em 1994, é - como sabemos - de grande relevância hoje!


Para aqueles que acham que as crianças não são "santas" e que a luta pelo direito ao tempo livre, verdadeiramente livre é uma coisa de pedagogos, a leitura é ainda mais essencial!


Aqui fica a sugestão!


Nao escolarizar o Pré-escolar. A escola pode esperar!


Que há mundo e um tempo para além da escola todos o sabemos. O que talvez precisemos é de saber como fazer para que a escolarização dos jovens possa ser   entendida como absolutamente necessária, desejada, compreendida, emancipatória ...

Este livro, de 2002,  contem doze textos de Agostinho Ribeiro pertinentes  para a nossa reflexão como educadores/as.
O primeiro com o título "Deixem estar as crianças no Jardim: a escola pode esperar"  chama-nos à atenção para o "ano zero" (preparação ou ensaio) da era do pré escolar  que, no plano pedagógico, " pode ser entendido como pressão para a uniformidade e que constituiu objetivamente uma ameaça à originalidade e à excelência dos desempenhos (...).

Não é difícil compreender e até insistir na articulação entre a educação pré-escolar e o lº Ciclo do Ensino Básico; difícil é definir os objetivos e os modos dessa articulação.
Como refere o autor,  a uns parece que o educador não deve planear o seu trabalho no Jardim de Infância sem interrogar  os professores na escola, para outros é claro que lhe bastará fazer o que deve para que a escola receba o que precisa (...)
Uma coisa é orientar a intervenção educativa para a aprendizagem ... outra coisa é proporcionar à criança experiências (de aprendizagem) que a ajudem a desenvolver a capacidade  e apetência para interrogar a realidade, para elaborar estratégias, para equacionar problemas e descobrir soluções, para tomar decisões, para inovar ...

Um livro atual, a ler!

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A escola da vida a tempo inteiro!

O aumento a esperança de vida é, quase sempre, visto de uma forma negativa, um drama, um fardo... Envelhecimento e declínio andam a par e em quase todos os discursos.
Discursos puramente ideológicos, socialmente descontextualizados, que levam a pensar que ficar mais velho é perder competitividade e recusar tudo o que é novo. Bastaria pararmos para pensar em que altura da vida e com que idade pensamos isto, para perceber o erro que cometemos. Começamos a envelhecer no dia em que nascemos. Portanto, envelhecer é natural!
O aumento da esperança de vida é uma boa novidade e abre múltiplas oportunidades. A revolução cinzenta (grisalha) traz desde logo a possibilidade da esperança, um risco que vale a pena !


Precisamos de sair do discurso das estatísticas e da saúde e arranjar uma política que não se limite ao desenvolvimento económico e médico, mas que trate da dimensão social, cultural, geográfica...
É preciso criar condições para uma nova ecologia social,  intergeracional. Há um presente e um futuro em todas as idades se soubermos fazer da nossa vida um sucesso em vez de querermos, somente, ter sucesso na vida!

Envelhecer : Uma escola a tempo inteiro, em que vale a pena apostar!

O Livro de Serge Guérin é um livro para ler e emprestar aos amigos e conhecidos.  Aqui fica a sugestão!

A autoridade não se impõe, conquista-se

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