quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O inicio às aulas e o TPC


                                             




 ... o Unicórnio
comeu o meu trabalho de casa!


Presença frequente na literatura e filmes de aventuras e ficção o unicórnio surge nas obras de Lewis Carroll, C.S. Lewis entre outros. 

Ligado ao TPC (Homework) leva-nos para esse mundo absolutamente ficcional que representa o desespero com que muitas crianças e jovens hoje encaram a escola e o conhecimento. 

A sigla TPC (trabalho para casa), conhecida no universo de todos, é muito utilizada pelas crianças para brincar e inventar outras designações: trabalho para carecas, trabalho para cábulas, trabalho para camelos, tortura para crianças, trabalho p’ra chatear etc., o que pode ser um indicador de uma reflexão crítica relativamente ao que significa este tipo de trabalho, para elas monótono, difícil, sem sentido e sem qualquer atractivo, roubando-lhes, inclusive, o tempo de brincar. Assim, a forma descontraída e humorística com que utilizam estas designações é uma maneira de relativizar e aceitar este tipo de trabalho, alienante e sem sentido, constituindo a subversão da designação pela manutenção das iniciais (TPC) uma forma de resistência simbólica e difusa a algo que normalmente sentem como hostil.

O Unicórnio literalmente come e engole o assunto, resolvendo assim o problema.
E nós o que vamos fazer?




sábado, 2 de setembro de 2017

Palavras para quê?


terça-feira, 22 de agosto de 2017

Brincar nas férias, usufruir do tempo livre!


BELLONI, Maria Cármen (1994) “Children’s free time and Leisure” In José Machado Pais et al. New Routes for Leisure. Lisboa: ICS.

O objectivo deste texto é compreender como é que as crianças passam o seu tempo quando não estão na escola. A autora parte do princípio que o lazer é um tempo que não envolve actividades obrigatórias, mas sim recreativas, da escolha individual das crianças e que envolvam as suas preferências sem calcular a utilidade, benefício ou necessidade desse tempo. Ou seja, tal como para os adultos, também para as crianças existe um tempo livre, ou seja, um tempo para além do tempo de actividade obrigatória (no caso a escola), mas que tem sido objecto de constrangimentos vários. Um tempo cujo estudo envolve numerosas dificuldades epistemológicas e metodológicas, uma vez que na sociedade moderna os espaços onde as crianças podem tomar as suas próprias decisões são quase inexistentes. A escolha das actividades das crianças é orientada pela família ou pela escola, isto é, pelos adultos. 
Para além disto, os espaços exteriores - sobretudo nas grandes cidades - são considerados perigosos ou escassos, o que condiciona a mobilidade das crianças. Para agravar esta circunstância, muitas das actividades organizadas no tempo fora do tempo escolar são impostas às crianças com o pretexto de contribuírem para o seu desenvolvimento. Por estas razões, a autora considera que devemos pôr em dúvida o uso do conceito de “lazer” quando se trata das actividades das crianças. 

Este artigo, escrito em 1994, é - como sabemos - de grande relevância hoje!


Para aqueles que acham que as crianças não são "santas" e que a luta pelo direito ao tempo livre, verdadeiramente livre é uma coisa de pedagogos, a leitura é ainda mais essencial!


Aqui fica a sugestão!


Nao escolarizar o Pré-escolar. A escola pode esperar!


Que há mundo e um tempo para além da escola todos o sabemos. O que talvez precisemos é de saber como fazer para que a escolarização dos jovens possa ser   entendida como absolutamente necessária, desejada, compreendida, emancipatória ...

Este livro, de 2002,  contem doze textos de Agostinho Ribeiro pertinentes  para a nossa reflexão como educadores/as.
O primeiro com o título "Deixem estar as crianças no Jardim: a escola pode esperar"  chama-nos à atenção para o "ano zero" (preparação ou ensaio) da era do pré escolar  que, no plano pedagógico, " pode ser entendido como pressão para a uniformidade e que constituiu objetivamente uma ameaça à originalidade e à excelência dos desempenhos (...).

Não é difícil compreender e até insistir na articulação entre a educação pré-escolar e o lº Ciclo do Ensino Básico; difícil é definir os objetivos e os modos dessa articulação.
Como refere o autor,  a uns parece que o educador não deve planear o seu trabalho no Jardim de Infância sem interrogar  os professores na escola, para outros é claro que lhe bastará fazer o que deve para que a escola receba o que precisa (...)
Uma coisa é orientar a intervenção educativa para a aprendizagem ... outra coisa é proporcionar à criança experiências (de aprendizagem) que a ajudem a desenvolver a capacidade  e apetência para interrogar a realidade, para elaborar estratégias, para equacionar problemas e descobrir soluções, para tomar decisões, para inovar ...

Um livro atual, a ler!

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A escola da vida a tempo inteiro!

O aumento a esperança de vida é, quase sempre, visto de uma forma negativa, um drama, um fardo... Envelhecimento e declínio andam a par e em quase todos os discursos.
Discursos puramente ideológicos, socialmente descontextualizados, que levam a pensar que ficar mais velho é perder competitividade e recusar tudo o que é novo. Bastaria pararmos para pensar em que altura da vida e com que idade pensamos isto, para perceber o erro que cometemos. Começamos a envelhecer no dia em que nascemos. Portanto, envelhecer é natural!
O aumento da esperança de vida é uma boa novidade e abre múltiplas oportunidades. A revolução cinzenta (grisalha) traz desde logo a possibilidade da esperança, um risco que vale a pena !


Precisamos de sair do discurso das estatísticas e da saúde e arranjar uma política que não se limite ao desenvolvimento económico e médico, mas que trate da dimensão social, cultural, geográfica...
É preciso criar condições para uma nova ecologia social,  intergeracional. Há um presente e um futuro em todas as idades se soubermos fazer da nossa vida um sucesso em vez de querermos, somente, ter sucesso na vida!

Envelhecer : Uma escola a tempo inteiro, em que vale a pena apostar!

O Livro de Serge Guérin é um livro para ler e emprestar aos amigos e conhecidos.  Aqui fica a sugestão!

sábado, 19 de agosto de 2017

LER É MUITO IMPORTANTE



À conversa sobre a importância de ler

- Eu acho que é muito importante ler. Se eu não soubesse ler, quando o meu namorado me escrevesse, toda a gente ficava a saber os meus segredos.
- Como é que eu podia ler histórias aos meus filhinhos antes de eles irem para a cama?

- Ler é uma coisa muito especial, porque nós podemos ver quem morre nos jornais ou até procurar casa. E até podemos saber notícias de outros países e de outras cidades.
- Se eu não soubesse ler não podia fazer bolos, porque não sabia ler a receita.

- E tu Jorginho? Achas que é importante ler?
- Eu acho que é muito bom ler e até me faz muita falta. O meu irmão não sabe ler e eu tenho de o ajudar nos deveres.
- Se eu não soubesse ler não podia ir às compras com a minha mãe – diz o Lino.
- A minha avó não sabe ler, só sabe ouvir e às vezes eu conto-lhe histórias. Ela fica muito contente de eu saber ler e até me faz festinhas na cabeça quando eu lhe leio algumas partes do meu livro. Um dia ela até chorou.

Ler é importante!
Brincar a ler é fazer teatro e contar histórias.

Maria José Araújo
(grupo de crianças do projecto Biblioteca Popular “À Procura da Aventura” 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Ler na férias






um livro de Manuel Rangel e Benedita Coimbra

Todas as oportunidades são boas para aprender.
Todos os materiais e situações do quotidiano podem ser importantes para dialogar e trocar informação. O difícil, às vezes, é saber como fazer. É conseguir aproveitar o tempo e as diferentes situações para explorar e conhecer, para ver e saber.
As crianças adoram saber e satisfazer a sua curiosidade, perguntam... querem mais!
Este livro é um bom exemplo de como qualquer situação pode ajudar os educadores a captar a atenção dos seus educandos.
Não só captar a sua atenção mas também aprender a aproveitar as situações do dia a dia para, em conjunto, desenvolver atividades significativas, divertidas e que ajudam a criar uma relação com o mundo do conhecimento.


Um livro pleno de sugestões criativas que ajudam a "fazer matemática"

Como dizem os autores: a matemática  está sempre presente, está em tudo, está "no meio de nós" A matemática não é mais do que o nosso olhar organizador sobre o mundo que nos rodeia!"

Este livro é mais uma aposta interessante para acabar de vez com os tradicionais TPC.

É ainda a nossa homenagem ao Manuel Rangel pelo carinho, empenho e dedicação às crianças e ao conhecimento.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

"O 10 Magnifico" Proposta para as férias


O 10 Magnífico 
de Anna Cerasoli 

"Filippo, a quem chamam Filo é uma criança atenta que gosta de brincar com o avô. O avô fecha-se com ele na cozinha, não para o tornar Chef mas porque ambiciona transformá-lo num génio matemático" 
Tinha sido professor de matemática e, desde que o tinham mandado para casa (reformado), aproveitava para  falar sobre a sua história, sobre o seu prazer em ser professor. O mundo da escola ficara-lhe no coração. Como ele gostava de se sentir professor!

O seu neto, Filo, tornara-se o seu aluno preferido, mas não o único porque o professor  adorava partilhar o seu saber com outros.

Para efectuar uma operação matemática diz o avô, precisamos do livro de receitas da tua mãe. Tirando o livro da estante o avô abre na receita do chocolate quente. Temos de seguir todos os passos para preparar esta bebida que tanto gostas... para efetuar esta operação"

Um livro pertinente, cheio de história e histórias bastante mais útil para as férias do que os tradicionais TPC, enfadonhos e desagradáveis. Um livro a comprar, a ler e a partilhar com outros porque a matemática não é difícil nem esquisita, é essencial para tudo no nosso quotidiano.

Um livro para todos os que gostam da aventura de saber E DE PARTILHAR O QUE SABEM!



domingo, 16 de julho de 2017

As actividades devem ser pensadas com os alunos ou para eles?



Na perspetiva de que as atividades devem ser programadas para os alunos está implícita uma concepção de infância que toma as crianças ou os jovens como seres não ativos, sem capacidade de iniciativa e sem identidade. Esta perspetiva não os olha no presente, com a sua realidade concreta, mas como um produto de aprendizagens organizadas pelos adultos em função de um desígnio institucional de socialização. Consequentemente, as atividades por vezes são adequadas, outras vezes não são, porque não vão ao encontro das realidades culturais, cognitivas e às motivações das próprias crianças/jovens, entre outras razões.


Na perspetiva de que as atividades devem ser pensadas com os alunos, a partir dos seus interesses e participação, estamos perante uma conceção de infância que as olha no presente, com personalidade própria, pois estamos a dar-lhes a oportunidade de exprimirem o que sentem, da maneira que desejam. Neste tipo de atividade mais lúdica e não tão direccionada, o próprio processo da escolha é já uma actividade que é válida por si. 

É de facto muito importante que as crianças e os jovens exteriorizem a sua subjetividade, algo que vem de dentro das suas vivências, dos seus marcos de referência e não que é imposta do exterior. 

Maria José Araújo

Repressão ou demissão ?


Hoje vimos uma criança ser castigada e não fizemos nada!

Um debate a partir da obra de Bernard Defrance " Sanctions et discipline à l´école"
Uma obra que se dirige a todos aqueles que pensam que a escola se tornou incapaz de fazer com que os alunos cumpram as regras elementares de convivência social.


Castigar é uma pratica comum em educação.
O castigo, sobretudo com os mais novos, é uma pratica legitimada. Paradoxalmente não se reflete sobre o seu significado. Preferimos interrogar-nos sobre a legitimidade do que sobre a função e os mecanismos usados para  remeter a criança ao silêncio. 
A prática "de formas punitivas" nas instituições escolares nem sempre é debatida e os seus efeitos no processo educativo de uma criança não são conhecidos.

Faz o que te digo e pronto!

A criança castigada dificilmente tem direito de defesa ou compreensão.
Os adultos que não infringem a punição mas sabem que ela existe "assobiam para o lado".
A lei ao serviço das praticas educativas devia merecer a nossa atenção, desde logo porque a escola tem o dever de proteção àqueles que a frequentam. 
E, seria um beneficio para todos se o debate nos levasse a praticas de responsabilização e civilidade.

Como refere Bernard Défrance:  La querelle des "tolérants" et des "répressifs" taxés respectivement  par les adversaires de "laxistes" et de "réactionnaires" bat son plein. Il faut sortir de cet affrontement pour trouver terrain plus serein.
Esta questão tem de ser debatida no campo dos direitos e todos temos o dever de o fazer.

A obrigação dos educadores é serem isso mesmo: educadores!



A autoridade não se impõe, conquista-se

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