domingo, 18 de fevereiro de 2018

9º Encontro na Diferença "Pela Estrada Fora eu vou"



A CERCILEI - Cooperativa de Ensino e Reabilitação de Crianças Inadaptadas de Leiria é uma instituição de solidariedade social que, para além da sua missão, promove e organiza, desde 1996, formações científico-pedagógicas no Concelho de Leiria, procurando ir ao encontro das necessidades de técnicos, pais, encarregados de educação e outros profissionais.

Informações:

Programa disponível em www.cercilei.pt
Valor da ação: 17€
Telef: 244 850 970/965


Programa
http://www.fenacerci.pt/wp-content/uploads/2018/01/Programa_9encontro.pdf

MATEMÁTICA NO 1o CICLO – “O QUE NÓS ANDÁMOS PARA AQUI CHEGAR!” - Manuel Rangel


Aparentando, por vezes, tratar-se de uma questão universal, de absoluto consenso, quase indiscutível, nada há de mais ideológico que esta questão dos “essenciais” (do que é essencial) em Educação.
Porque, se é certo que estes vão, ou podem ir, buscar os seus fundamentos à natureza humana, à natureza da criança a educar, os essenciaisdependem no fundamental do projeto que temos para esse ser humano, individual e coletivamente considerado e, consequentemente, do projeto de sociedade que vislumbramos alcançar.
Tomemos como exemplo a fórmula mais conhecida que perdurou do pensamento de Salazar relativamente à educação. Repetida centenas de milhares de vezes, a fórmula dos “essenciais” de Salazar – “ler, escrever e contar” – resume o seu projeto educativo total, clarificado e especificado, aliás, por ele próprio, para que dúvidas não restassem, de que “ao povo basta saber ler, escrever e contar; para pensar estamos cá nós!

http://www.fep.porto.ucp.pt/sites/default/files/files/FEP/SAME/docs/Intervencao_UC_MATEMATICA_NO_1_CICLO_fev14.pdf

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Escolarização em debate: rankings e escola pública


O debate público acerca da educação tem marcado posição no espaço público da comunicação social justamente através da interpelação do papel da Escola. No contexto desse debate afirma-se o pressuposto de que o que se entende por educação se confina aos processos de escolarização e que, por outro lado, há uma verdade única e absoluta sobre o projeto de escola que é "melhor para todos".
Mas a educação compreende muito mais processos e experiências que aquelas que são vividas na escola e durante a escolarização. Adicionalmente, e contrariando qualquer ideia de homogeneidade no que concerne à oferta escolar, não há uma escola, isto é, um percurso escolar uniformizado e homogéneo, padronizado, mas antes muitas "escolas" e, por conseguinte, uma enorme diversidade de projetos e de protagonistas que produzem e se vêem continuamente confrontados com discursos, tantas vezes difusos, em que se entrecruzam conceitos, vontades, sentimentos e projetos de vida. 
Falar de escola (pública, universal), em nome de todos, implica atender à grande pluralidade dos espaços sociais e das variações culturais inerentes, observando-os nas suas específicas articulações com dimensões sociais, culturais e geográficas mais amplas. Pressupõe analisar as práticas sociais e as representações que professores, pais e alunos têm dos locais que frequentam, tendo em conta as condições de produção cultural dessas representações e práticas. 
O que habitualmente se designa, simplificadamente, por escola é, na verdade, uma entidade abstrata, mas uma entidade abstrata que continua a mobilizar expectativas coincidentes para muitas famílias, como a da esperança de uma vida melhor, não obstante as formações que disponibiliza já não garantirem mobilidade social e/ ou emprego. 

Assim, os olhares externos que incidem sobre o meio escolar têm de pautar-se por perspetivas e procedimentos éticos que não ponham em causa dimensões essenciais da vida interna e privada da instituição, que não ponham em causa a vida das pessoas (com ideias feitas e comentários descontextualizados), mas que constituam uma mais-valia e uma possibilidade de ajudar a inventar o quotidiano. 

Porque vão as crianças para a escola?
Para aprender colaborativamente, trocar informação, aprender o que muitos pais e encarregados de educação não sabem, não podem e não tem possibilidade de ensinar ou fazer aprender.
Vão à escola que é a organização que foi criada para dar oportunidades a todos de aprender,  aprender com outras crianças e adultos que se formaram para isso.

Comparar escola e resultados escolares (classificações), e justificar as classificações com os percursos e dificuldades dos pais e encarregados de educação é não compreender o papel da escola publica. Seguramente as crianças e jovens não vão para a escola para ouvirem dizer publicamente que não tem sucesso porque as suas famílias não as ensinam! Porque na verdade, é justamente porque as famílias não tem as competências, os meios, as possibilidades de ensinar que a escola foi criada.
Claro que o ideal é que neste processo de aprendizagem haja colaboração entre todos os agentes educativos (pais, professores, encarregados de educação etc) que juntamente com os alunos ajudem a pensar a melhor maneira de todos cumprirem o seu papel. E, sobretudo que a escola possa ajudar muitas crianças (pessoas) a ter uma vida melhor. 

Melhor porquê?
Porque  mais conhecimento e mais formação permite escolher a vida em vez de ser por ela escolhido/a.

Dizer que os alunos/as não tem sucesso escolar porque os pais/EE são oriundos de classes sociais desfavorecidas e não trabalham conteúdos escolares em casa, é dizer que a escola foi criada para alunos cujos pais/EE são oriundos de classes sociais favorecidas?

Não me parece que o possamos fazer.

Então estará na altura de arranjar outra explicação para a dificuldade de conseguir que todas as crianças e jovens tenham sucesso escolar. Porque dizer que as crianças que vem de meios sócio-económicos desfavorecidos não tem sucesso na escola porque as famílias não as educam e não tratam de fazer o seu papel é não compreender a razão para que foi criada esta fantástica organização que é: a escola!!

E, é também dizer que na(s) escola(s) os diferentes agentes educativos não sabem fazer o seu papel. E, isso também não é verdade. Porque todos os dias todos nós, professores trabalhamos imenso para que os alunos compreendam o beneficio que é ter uma instituição que se preocupa com o seu percurso escolar e de vida!

E então como se faz?
Fazendo!!

domingo, 7 de janeiro de 2018

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Como não desesperar com os TPC em tempo de férias

Noticia no Jornal "Público"
Por Susana Pereira

(...)
 É “tudo uma questão de bom senso”. Se os adultos descansam nas férias, por que é que as crianças não podem fazer o mesmo?
 “É preciso prestar atenção aos exemplos que damos às crianças”, elucida a especialista para quem é ponto assente de que "as férias são para descansar, brincar e criar bem-estar!"

"Enquanto não se perceber isto andaremos todos a prestar um mau serviço às crianças”, realça a investigadora, acrescentando que a Convenção sobre os Direitos das Crianças, aprovada em 1989 pela ONU, estipula que elas têm “direito ao repouso, a tempos livres, a participar em jogos e actividades recreativas próprias da sua idade e a participar livremente na vida cultural e artística”. Araújo lamenta: “É sempre a condição de aluno a sobrepor-se à de criança."

Toda a noticia:
https://www.publico.pt/2017/12/17/culto/noticia/como-nao-desesperar-com-os-tpc-em-tempo-de-ferias-1796289

O Brincaleituras em notícia no Público



(...)

Mudar de paradigma e de práticas pedagógicas

"O desenvolvimento da literacia, através do jogo e do brincar começa muito antes da criança entrar para a escola e, nesse sentido, essa experiência deve ser continuada e valorizada", propõe Maria José Araújo. Para isso, é preciso "sair do esquema de aulas master dixit, do 'temos de cumprir o programa', do medo dos exames", desafia Dulce Gonçalves.


Toda a notícia por Bárbara Wong

https://www.publico.pt/2017/12/12/culto/noticia/a-brincar-a-brincar-tambem-se-aprende-a-ler-1795583

domingo, 3 de dezembro de 2017

BRINCALEITURAS - A sabedoria do jogar na leitura e no brincar



7 Dezembro -  no Porto às 18h .
auditório 



Conferências

Jogar & Aprender. Se for difícil, desisto; se for desafio, insisto!
Maria Dulce Gonçalves  - FPUL

Anda brincar connosco. A aprendizagem lúdica levada muito a sério!
Maria José Araújo - ESE-IPP



As crianças aprendem, cada vez mais cedo, a ler e a escrever, observando e interagindo com os adultos e com outras crianças, em aprendizagens focadas em rotinas, histórias e atividades sociais diferenciadas. O uso de diferentes formas de grafismo e registo criativo permitem às crianças a possibilidade de usufruir de uma aprendizagem pela descoberta.
O desenvolvimento da literacia, através do jogo e do brincar começa muito antes da criança entrar para a escola e, nesse sentido, essa experiência deve ser continuada e valorizada. As crianças têm interesses muito diferentes e também níveis de conhecimento muito diversos acerca da literacia, pois cada família e cada instituição têm também diferentes formas e recursos para as incentivar.
Neste workshop e seminário iremos debater estas preocupações e interesses.





12 Dezembro  em Lisboa
Anfiteatro Prof Ferreira Marques - FP - UL 

sábado, 23 de setembro de 2017

Não fui feita para fazer Trabalhos de Casa!!







Podemos estar aqui perante várias situações: trabalho quotidiano em casa: lavar, passar a ferro etc. Mas esta frase remete-nos, quase de imediato, para a problemática do TPC.

Um dos problemas dos TPC (Homework) é que dá a ideia de que qualquer pessoa pode ensinar. Não é verdade! Por isso se marcam tarefas.
Não é qualquer pessoa que ensina a estudar, porque não é fácil e exige formação e competências específicas nos conteúdos a ensinar. Exige conhecer as crianças e os jovens, as suas culturas, mas também vontade de os entender, disponibilidade para ouvir e para compreender o modo como ele e elas aprendem e valorizam o que aprendem.

Os «trabalhos de casa» têm estado presentes em todos os ambientes familiares independentemente do seu contexto social e cultural. No entanto, não têm o mesmo tipo de consequências, positivas ou negativas, em todas as crianças. Os TPC, enquanto prática institucionalizada representam para a maioria das crianças uma sobrecarga de trabalho num tempo que deveria ser para brincar. A escola tem objectivos curriculares, mas as crianças também têm objectivos e expectativas que têm sido ignorados. Neste sentido, o trabalho escolar deve ser feito na escola.

Muitos pais e professores acham que se elas trabalharem muito fora do período escolar vão ter mais sucesso na escola. Mas a realidade não é tão linear. Na maior parte das vezes, fica por alcançar o idealizado. Ou pode, ter lugar um efeito contrário ao pretendido.
Normalmente tem!

DIREITO A BRINCAR E ESCOLHER A BRINCADEIRA

Falar com o dedo no ar

Para falar temos de pôr o dedo no ar. 
Se falarmos todos ao mesmo tempo fica muita confusão e não nos entendem. 
Má comunicação. 
(André)

Crianças e adultos já incorporaram a ideia de que têm direito a falar, embora isso se deva processar com ordem, para que seja perceptível, como elas mesmo dizem.
Esta constatação é um progresso no que respeita aos direitos de comunicação das crianças, porque na escola já houve um tempo em que as crianças tinham apenas o direito de ouvir.
O direito a falar é encarado com naturalidade por toda a gente. É um direito reconhecido e valorizado.
O que devemos defender é que brincar é um direito da criança tão fundamental como o direito a falar, não necessariamente no tempo lectivo, mas no tempo pós-lectivo, no tempo livre. Um tempo em que frequentemente se obrigam as crianças a fazer actividades em tudo semelhantes às do tempo lectivo (pela metodologia que se usa, por não as envolvermos na organização e programação, por serem demasiado orientadas, sem deixar para a criança a hipótese de explorar ....

O que eu de facto gostaria de ver era uma criança a levantar o dedo pedindo para brincar, e que isso fosse reconhecido por ela e pelos adultos, que com ela convivem, como um direito tão natural e tão irrenunciável como o direito a falar, a comer e a ser bem tratado.

Há tempo para tudo e há todas as possibilidades que quisermos mas, neste momento, o ato de brincar não é reconhecido como direito fundamental, porque muitas pessoas têm uma informação muito vaga, limitada e pouco precisa do que significa brincar.
O mesmo sucede, às vezes, com o jogo, que é entendido somente como exercício físico ou desporto, interessante para a saúde ou para o desenvolvimento motor, ignorando o seu potencial como forma inegável de ligação das crianças ao mundo.

Brincar, para a criança, é viver e é tão importante e tão fundamental como qualquer outro dos direitos que consideramos fundamentais e que estão consagrados na Convenção dos Direitos da Criança.

Na verdade, não dar tempo à criança para brincar, não reconhecer esse direito no seu tempo livre, é uma violência tão grave e punível, como não dar de comer ou maltratar fisicamente. Constitui além dessa violência, uma falta de percepção do que significa brincar e da forma como as crianças fazem a leitura da realidade social. As crianças aprendem pela experiência, à medida que vão interagindo com o seu grupo de pares e com os adultos e à medida que vão vivenciando diferentes situações.

Reconhecer e valorizar o acto de brincar é, ainda, dialogar com as crianças numa linguagem que elas entendem.

Falar e brincar com o dedo no ar!!

A autoridade não se impõe, conquista-se

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