domingo, 16 de julho de 2017

Sonhar é preciso!


Onde se fala de gatos e de homens 
Manuel António Pina


Os meus gatos dormem durante a maior parte do dia (e, obviamente, durante a noite toda). Suspeito que os gatos têm um segredo, que conhecem uma porta para um mundo coincidente e feliz, por onde só se passa sonhando. Um mundo criado como Deus terá criado o nosso humano mundo, à sua desmesurada imagem. Porque os que sonham são deuses criadores. Os gatos sonham dormindo, os homens sonham fazendo perguntas e procurando respostas.
Mas os meus gatos dormem e sonham porque não têm fome. Teriam, se precisassem de procurar comida, tempo para sonhar? Acontece talvez assim com os homens. Como se o espírito criador fosse, afinal, prisioneiro do estômago. Talvez, então, a mesquinhez de propósitos da nossa vida coletiva radique, como nos querem fazer crer, no défice, e talvez o cumprimento das normas do pacto de estabilidade seja o único sonho que nos é hoje permitido.
E, contudo, dir-se-ia (e isto é algo que escapa aos economistas) que é o sonho, mais do que a balança de pagamentos, que alimenta a vida, e que os povos, como os homens, precisam de mais do que de números. Os próprios números têm (os economistas não o sabem porque a sua ciência dos números é uma ciência de escravos) o poder desrazoável de, não apenas repetir, mas sonhar o mundo.
Há anos que somos governados por economistas e o resultado está à vista. Talvez seja chegada a altura de ser a política (e o sonho) a dirigir a economia e não a economia a dirigir a política. Jesus Cristo «não sabia nada de finanças, / nem consta que tivesse biblioteca», e o seu sonho, no entanto, continua a mover o mundo.

JN, 09/11/2005

sábado, 8 de julho de 2017

Jogos e Brinquedos Populares


Quem brinca sabe porquê!

Quanto ao objeto de brincar... pode ser qualquer um. 
Mas se o fazemos, se o pensamos, se o imaginamos e o reinventamos ... e com ele nos emocionamos, brincamos bem melhor!



  

 Rui Mendes, Gonçalo Dias, João Amado & Olga Vasconcelos 

Este livro, não é só um livro sobre os jogos e os brinquedos populares ou sobre tradição e património. É um apelo à memória e ao lugar do entretenimento, do passatempo indispensável a qualquer ser humano. São estudos, são práticas, são desejos de contribuir para um pensamento sobre a ludicidade e o bem-estar, sobre essa "coisa" magnífica que é brincar! 

No capítulo VI, João Amado brinda o leitor com um texto sobre a expressão lúdica em quatro obras da literatura portuguesa. Com a ajuda de Amadeu e Quinzinho, da tia Ana e da tia Custódia - mais competente a contar histórias que ajudam a fugir ao exagero da vida quotidiana -,  também de Gineto, Gaitinhas (João), e tantos outros "moços" que descobriam a traquinice, a música e a resistência à vida, o autor lembra-nos como o brincar e os brinquedos são oportunidades de ternura e alegria. É uma conversa com o leitor sobre a importância da literatura, do brincar, da possibilidade de evasão da realidade, tantas vezes sombria, que pode ser atenuada pelo saltitar do pião, da corrida e do empurrão, das caçadinhas, da descoberta, da relação com outros e com o mundo, até que o dia escureça!

Só não fica curioso quem não lê e só não se entusiasma com as brincadeiras, quem não brinca!

Obrigada aos autores e um agradecimento especial ao João Amado pela amizade e pela partilha.



sábado, 1 de julho de 2017

BRINCAR É COISA SÉRIA!


“Brincar é coisa séria!” 


Começou ontem, dia 30 Junho pelas10h, no Auditório Municipal de Esposende, o  debate -  enquadrado no Seminário "REVISTAR O VALOR DO BRINCAR" - em todas as idades, com particular atenção para o significado  das brincadeiras para os mais novos.


O objetivo central desta iniciativa prende-se com a necessidade de refletir sobre a importância do BRINCAR e a forma como tem mudado ao longo do tempo. Na verdade o que foi mudando foi a forma como pensamos os tempos das crianças e os seus direitos ao tempo livre. 
A institucionalização da infância tem criado constrangimentos à forma como proporcionamos o direito ao brincar, por exemplo ao ar livre.

Adultos/educadores e educadoras tem, hoje, em Esposende a possibilidade de dedicar algum do seu tempo a esta questão, na medida em que a organização do encontro convidou as famílias, e a comunidade em geral, para visitar e participar nas diversas atividades lúdicas que serão dinamizadas no âmbito da  FEIRA DO BRINCAR, na zona ribeirinha do concelho

Programa http://www.esposende.pt/BCS/lorem-ipsumy/
Mais informações:http://www.esposende.pt/BCS/


Organização:  Câmara Municipal de Esposende, em colaboração com a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens e com o Centro de Intervenção Psicológica e Terapêutica.


HOJE BRINCAR EM ESPOSENDE É POSSÍVEL.
VAMOS A ISSO!! 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Dia Mundial da Criança


TODAS AS CRIANÇAS PRECISAM DE TI

Continua a ser preciso, todos os dias, mostrar que  são os adultos que tem obrigação de cumprir os direitos das crianças.


https://www.youtube.com/watch?v=mJggYdw3I0k

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Direitos das Crianças

Portugal como líder mundial no reconhecimento e protecção dos direitos das crianças, enquanto o Reino Unido está entre os países com um desempenho muito baixo.

A fundação internacional dos direitos da criança KidsRights e a Erasmus University Rotterdam publicaram ontem o KidsRights Index 2017, o ranking global anual que registra os desempenhos dos países em relação aos direitos das crianças. O índice visa recolher dados de várias fontes respeitáveis e identifica temas e tendências globais no que respeita os direitos das crianças.

Portugal encabeça o índice, que também tem fortes resultados para a Noruega, Islândia e Suíça, que ocupam os  três lugares na tabela. O Reino Unido teve um desempenho dramático de acordo com o Índice, caindo para o 156º lugar, em comparação com o 11º em 2016. Isso deve-se a falhas na área do ambiente propício para os direitos das crianças.


É preciso, todos os dias, aqui, junto das crianças mostrar que as respeitamos, que criamos as condições para cumprir todos os seus direitos.

https://www.childinthecity.org/2017/05/16/portugal-heads-childrens-rights-index-while-uk-plummets/

terça-feira, 16 de maio de 2017

BERRAR ! Um estilo violento de sociabilidade



Quem não conhece, ouviu, ouviu falar ou se confrontou com os diferentes gritos (berros), a várias vozes, nos contextos educativos ? Na escola, no ATL, no Jardim de Infância ...?

Todos os dias somos confrontados com histórias sobre os comportamentos das crianças, no seu papel de alunas, no contexto escolar. O discurso sobre o comportamento aponta o dedo à criança e sua irreverência. Não sabem estar, não se sabem comportar, berram, etc...
Serão só as crianças?

E, se parássemos um pouco para pensar ?

Quem berra ? Quem grita ? Quem manda calar? Quem é o/a responsável pelo ambiente educativo?

Uma criança que, em casa ou na escola, é confrontada com um estilo "oral" marcado pelo "grito esganiçado, nervoso e violento do adulto, que aprende, diariamente, que elevar a voz para se fazer ouvir é uma pratica legitimada pelos adultos .... porque fará diferente?


segunda-feira, 24 de abril de 2017

Se queremos que as crianças aprendam, temos de as deixar!

As crianças que contemplam a vida e apreciam o momento são mais felizes. São mais saudáveis, SAO ATENTAS

A sua capacidade de observação, a sua atenção tem de ser estimulada, não reprimida.

Uma criança que passeia ou vagueia no seu pensamento é uma criança atenta. Não é uma criança distraída

Porque estamos sempre a pedir às crianças que se concentrem em matérias que elas não estão a perceber em vez de estarmos atentos ao que as chama à atenção??


Um video delicioso, a não perder

https://www.youtube.com/watch?v=0C43F8VJZ5U

Se queremos que as crianças aprendam, temos de as deixar!
deixar contemplar e tentar aprender com isso!
Porque uma criança a espreitar, atenta ao mundo, à natureza, ao diferente... é uma "criança em estado de aprendizagem"

TPC: trabalhar em horário pós-laboral


Serão da Bonjóia
Dia 27 de abril de 2017 – às 21h15
Na Quinta de Bonjóia

Ciclo da Sociedade:
TPC: trabalhar em horário pós-laboral
Maria José Araújo


Como todos sabemos, à maioria das crianças são propostos como “trabalhos para casa - TPC” tarefas que incluem cópias de textos, repetições de palavras (várias vezes), fichas com contas e problemas diversos que na maior parte das vezes se limitam a reproduzir os conteúdos dos livros ou o que eventualmente foi feito e explicado na aula. Aliás, está quase tudo no caderno ou no livro, é só copiar. Este ritual é para muitas crianças, sobretudo para as mais pequenas, tudo o que elas conhecem como próprio do ato de estudar. De facto, ao confundir-se estudar com este tipo de “trabalhos para casa”, estamos a afastar a hipótese das crianças se familiarizarem com o interesse pelo conhecimento satisfazendo a sua curiosidade natural através da pesquisa. A escolarização é muito importante e por isso mesmo é preciso que o estudo fora da escola seja incentivado a partir do interesse e das culturas das crianças”.

Para questionar a temática TPC: trabalhar em horário pós-laboral, e mostrar a importância de dar à escola o que é da escola e à casa o que é da casa, estaremos no dia 27 na Quinta de Bonjóia.

A autoridade não se impõe, conquista-se

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