quarta-feira, 22 de março de 2017

Mestre Juvenal, pescador, artesão, carpinteiro de canoas


A escola da vida.

Companheiros, boa tarde,

 Agradeço a Deus ter conhecido o professor engenheiro, aqui ao meu lado e que já foi muitas vezes ao meu atelier. Uma honra, um oportunidade. Tem muitos académicos por ai, mas poucos têm a disponibilidade de ir até onde a necessidade existe. Ir até onde estamos faz um diferencial que ninguém imagina.

Eu conheço pouco e o meu conhecimento é também muito pouco. Já falei na rádio uma vez.. Eu nunca tinha pegado num microfone. Isto aqui é muito assustador.

As pessoas conhecedoras são as pessoas mais velhas… que acumulam nos anos a experiencia da vida. Os saberes dos professores que falam comigo no meu atelier não tem fundamento para mim. É preciso saber para entender. Se você não tem conhecimento você não preserva. (…) o tempo não dá para preservar o tempo.

Eu tenho pouca leitura mas tenho conhecimento. Sou pescador, artesão, carpinteiro de  canoas. Nós somos tratados como insignificantes. Essas pessoas olham para nós como ignorantes e gostam da nossa ignorância… acha graça a uma vida de sofrimento. Para mim é de fundamental importância que você saia do seu conforto e vá até lá ao lugar onde estamos e vivemos. Eu pesco e faço canoas no meu atelier com apenas três ferramentas.

 Até hoje mantenho a tradição de buscar o alimento para dentro de casa mas também para as populações em canoa, mas o meu filho já não quer fazer mais. Não quer esta vida de miséria e sacrifício. É muita miséria. Os nossos filhos saem da praia, saem da terra em busca de uma vida melhor porque não querem esta vida de miséria.

Eu desafio os académicos que confortavelmente falam de só ver…  Os nossos meninos não querem continuar a pobreza mas podiam continuar a arte
È por isso que eu digo que é muito bom estar aqui.(…) Precisamos de uma parceria, um casamento que faça as coisas acontecer. Bem hajam e obrigada pela vossa atenção!

A história do Mestre Juvenal é uma história viva que poucos conhecem mas muitos vivem. Uma história plena de realidade. Uma historia da escola da vida e do saber do que custa a vida. Uma vida de liberdade condicionada. 
Foi com pesar que mestre Juvenal nos foi dizendo que as crianças, hoje, abandonam a terra em busca de uma vida melhor. Mas abandonando a terra poderiam encontrar na escola uma forma de continuar a arte. 


Não teremos nós a responsabilidade de divulgar a investigação que fazemos para que na escola se compreendam estas necessidades ?

terça-feira, 14 de março de 2017

Brincadeiras, porque não as valorizamos?


As brincadeiras, portadoras de tradições e costumes culturais de significado intangível, são expressões culturais reconhecidas pela Unesco como património comum da humanidade. Mesmo assim, o brincar e as brincadeiras enquanto manifestações colectivas, em que a criança desenvolve relações sociais com o seu grupo de pares e com os adultos, apelando à memória colectiva, nem sempre são incentivadas e respeitadas. Por um lado, o significado de brincar como essencial para o diálogo intercultural e tónico para a vida das crianças não tem sido compreendido como acto “sério”, e por outro, o tempo e o espaço para brincar tem vindo a diminuir, criando constrangimentos diversos que merecem a nossa atenção.
As culturas da infância, enquanto conjunto de conhecimentos e comportamentos próprios de uma geração, são indispensáveis para a construção da identidade das crianças.

É por isso urgente que se valorizem!
É por isso urgente que se respeitem os espaços de brincar !

A autoridade não se impõe, conquista-se

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