domingo, 25 de maio de 2014

Brincar a ler é fazer teatro e contar histórias


à conversa


- Eu acho que é muito importante ler. Se eu não soubesse ler, quando o meu namorado me escrevesse, toda a gente ficava a saber os meus segredos. - Como é que eu podia ler histórias aos meus filhinhos antes de eles irem para a cama?
- Ler é uma coisa muito especial, porque nós podemos ver quem morre nos jornais ou até procurar casa. E até podemos saber notícias de outros países e de outras cidades. - Se eu não soubesse ler não podia fazer bolos, porque não sabia ler a receita.
- E tu Jorginho? Achas que é importante ler? - Eu acho que é muito bom ler e até me faz muita falta. O meu irmão não sabe ler e eu tenho de o ajudar nos deveres. - Se eu não soubesse ler não podia ir às compras com a minha mãe – diz o Carlos. - A minha avó não sabe ler, só sabe ouvir e às vezes eu conto-lhe histórias. Ela fica muito contente de eu saber ler e até me faz festinhas na cabeça quando eu lhe leio algumas partes do meu livro. Um dia ela até chorou.
Brincar a ler é fazer teatro e contar histórias.

(grupo de crianças do projecto Biblioteca Popular “À Procura da Aventura”)

Gosto muito da minha rua


A minha rua

Eu gosto da minha rua Eu não saía da minha rua nem que dessem 200 contos. Tenho tudo na minha rua, porque tenho muitos amigos e
Também fazemos muitos jogos...
(Maria Luísa)

Gosto tanto de brincar


No recreio

No meu recreio eu gosto muito de brincar ao lencinho e aos saltinhos em altura. Tem uns murinhos e eu ... salto. É perigoso, eu sei .... e é proibido. A minha professora não deixa ....a minha mãe também não. Mas eu gosto muito.

(Diogo 6 anos )

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Lembrar o 25 de Abril pensando nas crianças

As crianças, em todo o mundo, têm muitas coisas em comum.

querem ter uma família,
querem viver entre a família e os amigos,
querem ter uma casa,
querem sentir-se em segurança,
querem beber água potável,
querem ter comida para comer...

Em todo o mundo elas estão sempre a dizer-nos - das mais diferentes maneiras - que querem espaços para brincar, espaços onde possam respirar sem poluição, sem lixo ...
Em todo o mundo elas gostariam de ser respeitadas pelos adultos, ter adultos capazes de as respeitar ...

E, em todo o mundo elas gostariam de ter acesso a uma educação que lhes possa também trazer qualidade de vida no futuro.

Não são pedidos irracionais ... mas mais de 1/3 da população infantil em todo o mundo não tem estas condições. Morrem diariamente milhares de crianças com menos de 5 anos e idade porque não tem que comer...

É um escândalo!

Que o 25 de Abril, hoje, nos leve para além da soleira da porta,
Que o 25 de Abril, hoje, nos lembre o significado da solidariedade, do compromisso, do respeito ...
Que o 25 de Abril, hoje, nos envergonhe pelo pouco que fazemos,
Que o 25 de Abril, hoje, nos obrigue a prevenir situações destas ao pé da nossa casa, junto das pessoas com quem trocamos o nosso olhar todos os dias ...

Não é preciso falar ...  É preciso fazer!

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Morreu Gabriel Garcia Marques

Carta de despedida Gabriel Garcia Marques

http://www.youtube.com/watch?v=1HK3tkw0g5k

terça-feira, 25 de março de 2014

Brincar e aprender

O acto de brincar, significa a possibilidade que as crianças têm de desenvolver habilidades motoras, perceptivas, cognitivas e sociais. A criança quando brinca comanda a situação, tem o controlo da sua brincadeira, percebe do que é e não é capaz e isso é essencial para a sua auto-estima e, assim, para a sua relação com os outros, em especial com o grupo de pares. A criança decide o que brinca e quanto tempo brinca porque, mesmo que tenha de interromper a brincadeira, pode voltar a ela quando quiser ou puder. (...)

O conceito de aprendizagem tem sido especialmente usado para referir o que os adultos ensinam às crianças ou o que supostamente as crianças aprendem com os mais velhos e raramente é utilizado para referir o que as crianças aprendem entre elas. Mais dificilmente ainda é usado para mencionar o que as crianças ensinam aos adultos, e estamos ainda longe de admitir que aprendemos imenso com elas. Temos uma ideia muito estreita do conceito de aprendizagem, que não ajuda a entender que as pessoas (adultos ou crianças) aprendem sempre juntas.(...)

texto completo
http://barometro.com.pt/archives/1139

o “ofício de aluno” é somente uma componente do “ofício da criança”


Perrenoud, olhando a escola como lugar de confronto e articulação de actividades diferenciadas que movem alunos e professores, desenvolve o conceito de “ofício de aluno”, a partir de uma visão da sociologia da educação que ultrapassa a análise dos problemas da escola, para se centrar na vida prática quotidiana. Será que tal como o/a professor/a exerce um ofício — na medida que tem um trabalho remunerado e reconhecido socialmente —, também podemos dizer que o aluno exerce um ofício? “Ser aluno, trabalhar em, é uma das ocupações permanentes mais universalmente reconhecidas. Haverá algum ofício mais reconhecido que aquele que é exercido, por obrigação, durante cerca de pelo menos dez anos de vida?” (Perrenoud, 1995:14). O “oficio de aluno” é marcado por um tipo de ocupação manual (manipulação de um conjunto de materiais escolares), que rompe com outras formas socializadoras, outros ofícios e aprendizagens que se faziam na esfera doméstica.
Se o ofício de aluno/a parece ser mais sui generis do que outros, não é somente por não ser pago, mas sobretudo porque é marcado por algumas tensões: i) não é livremente escolhido; ii) depende de terceiros (na medida em que para o aluno aprender o professor tem de ensinar); iii) exerce-se em permanente supervisão, nomeadamente em relação à avaliação; iv) está sujeito a uma avaliação das qualidades pessoais, mas também dos defeitos das pessoas, da sua cultura, da sua inteligência e do seu carácter (ibidem: 16).
À noção de “ofício de aluno” vem juntar-se a noção de experiência proposta por Dubet e Martuccelli (1996)[2], quando referem que as crianças na escola não se limitam a repetir, mas têm capacidade para gerir experiências escolares, experiências essas que vivem entre as lógicas da acção e da integração. Prévot e Chamboredon estenderam esta perspectiva explicitando que o “ofício de aluno” é somente uma componente do “ofício da criança”.
            Estamos tão preocupados com o desempenho escolar das crianças e com a educação formal — olhando-a somente a partir de uma instrumentalização do trabalho para atingir um fim — que não aprovamos nenhuma actividade que nos pareça afastar-se da escolarização, ou seja, desse objectivo central do bom desempenho escolar. De uma maneira geral, a retórica do trabalho e do esforço tende a ofuscar a necessidade que as crianças têm de ter tempo para as suas próprias ocupações. Para brincar. A retórica do trabalho como fonte de progresso no que respeita à vida dos adultos dificulta ou impede, mesmo, a compreensão do que é a infância, resultando numa forma de manter o poder sobre as crianças.



[1] PERRENOUD, Philippe (1995). Ofício de Aluno e Sentido do Trabalho Escolar. Porto: Porto Editora.

[2] DUBET, François & MARTUCCELLI, Danilo (1996). À l'école: sociologie de l'expérience scolaire. Paris: Éditions du Seuil.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Em educação tudo leva tempo a mudar

Ana Maria Bettencourt: A Educação leva muito tempo a mudar, a melhorar.
É necessário perceber os efeitos das medidas que se tomam.
Como é que nos podemos dar ao luxo de ter tantos professores no
 desemprego e tanta gente a querer formação?

Entrevista à Página da Educação

sábado, 5 de outubro de 2013

Brincar é insubstituível

"Brincar fora de casa, na natureza, é insubstituível [para o desenvolvimento das crianças]", sublinhou o médico pediatra Luís Januário, no congresso que decorre na Alfândega do Porto, em que criticou a actual "cultura de segurança fóbica" e a "organização estereotipada dos espaços" criados para o lazer dos mais novos. "Não se pode negar às crianças a oportunidade de se envolverem em actividades de risco".

Todo a noticia

Congresso Nacional de Pediatria

sábado, 21 de setembro de 2013

Se a Educação se gerisse administrativamente podíamos colocar em lugar do ministro um programa informático.


Necessidades Educativas Especiais: Um mundo numa frase.

Por David Rodrigues - Publico 17 Set 2013

Há um provérbio chinês que diz que “se pode ver o mundo numa folha de chá”. Entende-se o sentido: o infinitamente pequeno tem características em tudo semelhantes ao que é bem maior e assim se encontra um sentido unificador para todo o mundo.

Há alguns dias, o ministro da Educação, Prof. Nuno Crato, numa entrevista televisiva pronunciou-se – diríamos finalmente – sobre os alunos com necessidades educativas especiais (NEE). Entre outras coisas disse textualmente: “Estão integrados na turma mas na verdade não estão. Naturalmente o que acontece naquele caso concreto é que aqueles alunos pertencem à turma mas dadas as suas necessidades eles não convivem com os alunos daquela turma. Portanto é muito mais uma questão administrativa do que outra”.

Esta simples frase, como a folha de chá, é bem ilustrativa de um pensamento global e de uma lógica de acção face à educação de alunos com dificuldades. Vamos analisar só três aspetos da frase:

1.       “Estão integrados na turma mas na verdade não estão”. To be or not to be… eis a questão. Mas afinal estão integrados ou não estão? Quer dizer… no papel “eles” integram a turma mas na realidade é só de “faz de conta”.  A turma é uma coisa e os alunos com NEE são outra… Não é difícil continuar o raciocínio: seria uma estultícia considerar que alunos com dificuldades fazem parte da turma, que estão integrados na turma. A verdade, é que não estão e isto “da integração” é só para visionamento turístico. Bem difícil entender este raciocínio quando Portugal há mais de 20 anos tem seguido uma política de Inclusão (não de “integração”) em que se considera que a presença de alunos com dificuldades na sala de aula é um fator que não só os beneficia a eles por estarem num meio mais estimulante e com maiores expectativas, mas também os restantes alunos que aprendem conteúdos, estratégias e valores com este ambiente inclusivo.

2.       “Dadas as suas necessidades não convivem com os alunos daquela turma”.  Mas as suas necessidades incluem a ausência de convívio? Hoje não é sequer posto em causa que os ambientes mais estimulantes têm um papel de extraordinária importância no desenvolvimento de todos os alunos e em particular daqueles que mostram ter mais dificuldades na aprendizagem. Portanto, se têm necessidades acrescidas, espera-se que a convivência e a interação com outros alunos sejam ferramentas fundamentais para potenciar o seu desenvolvimento. Dizer que não convivem por causa das suas necessidades é encarar as “suas necessidades” como inelutáveis e considerar que o convívio se deve passar só “entre iguais”.  Aqui voltamos a estar a muitas léguas do que se pensa e do que se sabe sobre a promoção de ambientes inclusivos.
3.       “Portanto é mais uma questão administrativa do que outra”. Este é sem dúvida um argumento no qual se baseia muita da política educativa do presente. Quando se reivindicam mais meios, mais apoios, mais professores, mais serviços, a resposta é que “administrativamente” tudo está certo: os rácios, os lugares preenchidos, etc. Esta lógica “administrativa” procura desarmar a contestação: se tudo está conforme os ditames administrativos afinal qual é o problema? O problema é muito simples e é fácil de explicar a pessoas com formação de Economia. A Economia é uma Ciência Humana e a Contabilidade não é. Quer dizer que quando se pensa na dinâmica das instituições ou das sociedades, tem que se levar em conta muito mais fatores do que a lógica “administrativa”. Se a Educação se gerisse administrativamente podíamos colocar em lugar do ministro um programa informático. Mas não podemos. Dizer que a colocação de alunos e a sua participação é uma questão administrativa é portanto um grande empobrecimento da riqueza do debate.

Através destes três comentários de uma frase do responsável maior da Educação no nosso país, vemos quanto caminho é preciso andar. É preciso andar muito de onde estamos e será preciso andar ainda muito mais se o ponto de partida for deslocado lá para  trás. Ao arrepio do que se sabe, do que se  pratica, da legislação portuguesa em vigor e dos compromissos internacionais que assumimos. Queremos acreditar que não e para isso contamos com os professores, com os pais, com as famílias, com as comunidades para resistir a este encolhimento e adulteração do conceito inclusão.


Todo o artigo

David Rodrigues é Professor Universitário e Presidente da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial.

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