terça-feira, 6 de outubro de 2009

Estado tem que reformular a política de investimento no ensino superior

"Na cerimónia de abertura do novo ano lectivo, na Universidade de Coimbra (UC), o reitor Fernando Seabra Santos apresentou um caderno de encargos com seis pontos que preocupam as instituições de ensino superior. A saber: o ordenamento da oferta educativa, a racionalização da rede de instituições, a política de financiamento, a clarificação do conceito de autonomia, a revitalização do processo de avaliação e a maior aproximação entre sistema universitário e científico.

São seis pontos que o próximo ministro deve ter em conta para revitalizar a área. O presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) apela ao primeiro-ministro que o relacionamento entre tutela e universidades melhore".(...)

Entrevista com o Prof. Doutor Seabra Santos, reitor da Universidade de Coimbra e presidente do CRUP

texto completo Jornal Público

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

TPC e Estudo sao a mesma coisa?

Quando me refiro ao excesso de TPC, estou a referir-me às contas, tabuada repetida, cópias e fichas que as crianças mais pequenas levam para fazer depois da escola, mas também ao excesso de trabalhos que são uma repetição do que se fez na aula e, ainda, às actividades que são mais aulas depois das aulas.

Estudar tem de ter a adesão voluntária das crianças. Deve ser algo que elas percebam e por que se interessem. Perceber que conhecer, aprender e ter a possibilidade de participar no mundo de uma forma informada é algo estimulante, e as crianças gostam deste sentimento. Estudar é perceber mais e melhor... não é repetir o que os adultos impõem.

O conceito de estudar é muito confuso para as crianças e elas só o vão percebendo com o decorrer da escolaridade e à medida que se vão confrontando com outras situações -como, por exemplo, estudar a tabuada, estudar para um teste - e, mesmo assim, tudo isso depende delas. A função de estudar, não sendo uma operação muito concreta, é algo que não é muito claro para as crianças nem, provavelmente, para os adultos com quem convivem (...)


Maria José Araújo no Educare
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terça-feira, 29 de setembro de 2009

A investigaçao e a politica

Um dos objectivos da investigação na área da educação é informar e influenciar a decisão dos políticos e de todos os que têm um papel na configuração das condições concretas que afectam as crianças e os estudantes.
É de saudar quando os políticos reconhecem a utilidade desta investigação.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Crianças Ocupadas


Fará sentido que, na sociedade contemporânea, as crianças trabalhem mais do que as 40 horas que achamos razoáveis para os adultos? Fará sentido prolongar de tal modo as suas ocupações que não lhes deixamos tempo para brincar e descansar? Será que temos o direito de ocupar e condicionar o tempo livre das crianças depois de um dia de Escola?
Além destas perguntas primordiais, às quais se procura responder neste livro, muitas outras se colocam, hoje, aos pais e encarregados de educação, professores e educadores.

O trabalho das crianças é de cinco horas na Escola e depois têm de descansar. Temos nós o direito de ocupar e condicionar o tempo livre das crianças depois de um dia de trabalho na Escola?
O contrário de tempo livre é tempo ocupado? Ou o tempo pode ser ocupado com liberdade e sem liberdade?
São os “trabalhos de casa” excessivos, repetitivos e inúteis? De que estamos nós a falar quando falamos de “trabalhos de casa”?
O problema dos TPC é também uma questão crucial para os pais na forma como encaram o futuro das crianças.
As crianças são pessoas que têm um presente de pleno direito, não são apenas pessoas que vão ter um futuro.
A angústia dos pais para que as crianças trabalhem muito para ser alguém, como se as crianças não fossem já hoje alguém, pode comprometer tanto o seu presente como o seu futuro.


Maria José Araujo (2009) Crianças Ocupadas. Lisboa: Prime Books

AEC - Empobrecer o Curriculo para depois o Enriquecer?

As actividades de Enriquecimento Curricular no 1º Ciclo do Ensino Básico (EB) – conhecidas por AEC são um assunto de grande complexidade. A atenção do senso comum centra-se nas actividades propostas pelo Ministério da Educação em parceria com as autarquias (se são boas ou más, se devem ser estas ou outras, etc.) e com a necessidade de ter as crianças em segurança, enquanto os pais trabalham, mas a questão de fundo fica sempre por resolver porque é de mais difícil apreensão.
A primeira pergunta que se impõe acerca da necessidade de um enriquecimento curricular, é a seguinte: Porque é que se empobreceu o currículo, se depois temos de o enriquecer?

Não se está aqui a defender um tipo de disciplinas contra outro, ou um tipo de saber que seria melhor do que outro, mas sim o que as pessoas pensam da sua própria vida e da vida das crianças que têm a seu cargo. No que respeita especificamente a estas actividades de enriquecimento, esta questão prende-se sobretudo com a nossa concepção de infância.
Apesar dos educadores pensarem nas crianças quando fazem as actividades, a verdade é que raramente estas actividades surgem de um diálogo prévio com elas. Fazem aliás parte de um conjunto de orientações que o Ministério propõe, a autarquia tenta organizar e os professores tentam seguir…
Uma questão que se coloca desde logo aqui é se as actividades devem ser pensadas com as crianças ou para as crianças.
Na perspectiva de que as actividades de enriquecimento devem ser programadas para as crianças está implícita uma concepção de infância que toma as crianças como seres não activos, sem capacidade de iniciativa e sem identidade. Esta perspectiva não olha as crianças no presente, com a sua realidade concreta, mas como um produto de aprendizagens organizadas pelos adultos em função de um desígnio institucional de socialização. Consequentemente, as actividades por vezes são adequadas, outras vezes não são, porque não vão de encontro às realidades culturais, cognitivas e às motivações das próprias crianças, entre outras razões.
Na perspectiva de que as actividades de enriquecimento devem ser pensadas com as crianças, a partir dos seus interesses e participação, estamos perante uma concepção de infância que as olha no presente, com personalidade própria, pois estamos a dar-lhes a oportunidade de exprimirem o que sentem, da maneira que desejam. Neste tipo de actividade mais lúdica e não tão direccionada, o próprio processo da escolha é já uma actividade que é válida por si. É de facto muito importante que as crianças exteriorizem a sua subjectividade, algo que vem de dentro das suas vivências, dos seus marcos de referência e não que é imposta do exterior.
De uma maneira geral, as crianças gostam de fazer coisas de brincar e para elas brincar pode também ser fazer actividades. Mas se as actividades que dependem das funções expressivas (como a mímica, o movimento, a música, o desenho, a pintura, etc.) não respeitarem a sua(s) cultura(s), por serem demasiado programadas, deixando para a criança somente um espaço de execução, o processo de exploração das potencialidades da criança perde-se, pelo menos parcialmente, porque ela já não se entrega por inteiro num acto que já não vê como sendo autenticamente brincar.
Se as diversas actividades que são propostas às crianças no seu “Tempo Livre” – que é o tempo que fica depois das aulas na escola – forem actividades lúdicas, que vão de encontro à sua vontade e interesse, onde elas podem escolher o que fazer (umas gostarão de pintar e ter música, outras de fazer outras coisas), penso que é muito positivo. No entanto, se forem demasiado orientadas, as crianças forem obrigadas a fazer e se forem mais aulas depois das aulas, penso que é muito cansativo e contraproducente. Estamos a falar de crianças muito pequenas e o cansaço elas demonstram-no das mais diversas formas, a que por vezes damos o nome de indisciplina.
É essencial que as crianças brinquem e descubram o que gostam de fazer. Brincar é a actividade por excelência nesta fase da vida das crianças. O problema pode não ser só as actividades que se fazem com excesso de orientação, mas sim ser essa metodologia a prevalecente em todas as actividades.

Maria José Araujo (2009). Crianças Ocupadas. Lisboa: Prime Books

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Manuais escolares : o proximo passo


" Em época de especiais dificuldades económicas é ainda mais chocante a autêntica extorsão a que são submetidas, no início de cada ano lectivo, as famílias que têm crianças a estudar. Por isso são de saudar todas as diferentes iniciativas que permitem que os manuais escolares sejam fornecidos gratuitamente a alguns estudantes do ensino obrigatório mais carenciados.(...)
E poupavam-se as costas das crianças, que prejudicam a sua saúde carregando diariamente toda uma série de pesados volumes, dos quais apenas precisam, para cada dia, de umas escassas páginas."
Renato Soeiro
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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Dia Mundial da Literacia

"Cerca de 75 milhões de crianças em todo o mundo continuam sem acesso ao ensino. Em Portugal, nove em cada cem portugueses continuam sem saber ler nem escrever, na maioria idosos e a viverem no Interior. Ainda assim, previsões da UNESCO apontam para uma descida progressiva até 2015 (...)
Jornal Público

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Mediaçao Parental aprende-se

Numa altura em que “está a ser feito um esforço de inclusão digital dos mais novos, de modo alargado, a famílias com poucos recursos, é importante ter presente que muitos pais não usam ainda o computador ou a Internet e que podem ter dificuldade em entender a informação online”, defende, em declarações ao VER, a coordenadora nacional de um estudo do EU Kids Online, cujas conclusões foram apresentadas na última Sexta-feira, em Lisboa
POR GABRIELA COSTA

São cada vez mais, e mais novas, as crianças portuguesas que utilizam a Internet, mas são poucos os pais que as acompanham. Assinalando o final da primeira fase de implementação, o projecto EU Kids Online, que reuniu em Portugal investigadores, académicos e decisores políticos, conclui que, atendendo à tenra idade destes jovens e ao facto de acederem mais à Web do que os seus progenitores, não estão a ser desenvolvidas estratégias de mediação parental adequadas à sua protecção face aos riscos inerentes à utilização da Internet.



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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Uma Ilha na Lua

William Blake. (1996)Uma Ilha na Lua Lisboa:Antígona.


" O alargamento progressivo do horário e do tempo de escolaridade (incluindo a cada vez mais precoce pré-escolarização das crianças), assim como do horário e do tempo de ver televisão correspondem, de certo modo, a uma vigilãncia e programação total da educação das crianças, amestradas desde pequenas no papel de alunos atentos e consumidores responsáveis (...)
in prefácio
Manuel Portela

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Vale a pena aprender ingles no lº Ciclo EB?

Será que valeria a pena incluir o estudo do inglês no currículo, como defendem pais e sindicatos de professores, já que as escolas têm obrigatoriamente de oferecer esta língua como AEC?

- A aprendizagem de uma segunda língua - a ser obrigatória - deve fazer parte do currículo.

Apesar de as escolas terem de oferecer inglês no primeiro ciclo, a sua frequência é facultativa. Será que uma criança que chega ao quinto ano e volta a ter as primeiras noções de inglês, juntamente com outras que nunca tiveram não se desmotiva?

- Nesta fase da vida, as crianças devem aprender uma segunda língua sobretudo falando e não aprendendo gramática ou sintaxe. A aprendizagem de uma língua estrangeira (uma segunda língua) deve ser feita, ou deve ser aprendida como se aprendeu a língua materna e não com programas que impliquem conteúdos muito escolarizados. A aprendizagem informal e que parte da vontade das crianças é vantajosa e não interfere com nenhum programa curricular, muito pelo contrário.
As crianças pequenas aprendem uma ou mais línguas com muita facilidade, desde que tenham essa possibilidade. Neste sentido, dar oportunidade a que as crianças possam estar num ambiente onde se aprende naturalmente uma língua é vantajoso. Aliás, muitas crianças aprendem inglês cantando ou ouvindo “bonecos” dos desenhos animados na TV.

A autoridade não se impõe, conquista-se

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