terça-feira, 5 de maio de 2009



Pintar

As crianças precisam de exprimir e exteriorizar a sua subjectividade algo que têm de vir de dentro das vivências da própria criança dos seus marcos de referência. O pensamento vive da sua possibilidade de expressão: pela palavra, pelo grafismo... e assim, quanto maiores forem as possibilidades colocadas à disposição das crianças maior oportunidade terá o seu pensamento de se desenvolver, de se exprimir. A maior parte das matérias teóricas são acessíveis aos adultos mas as que dependem das funções expressivas, “tais como a atitude, a mímica, o movimento, a dança, a palavra, a escrita, o canto, a música, o desenho, a pintura, dificilmente podem ser aprendidas quando se deixa a idade óptima” (1986:15). Ora, se as actividades forem demasiado programadas, deixando para a criança somente um espaço de execução, todo o processo de exploração será perdido.

LEITE, Elvira e MALPIQUE, Manuela (1986) Espaços de Criatividade. Porto: Edições Afrontamento.

O jogo e o tempo livre

Neste artigo Carlos Neto desenvolve um trabalho de apresentação de um conjunto de “ ideias sobre o jogo com crianças e jovens a partir de resultados de alguns estudos realizados sobre os tempos livres, independência de mobilidade e percepção do espaço físico, situação dos espaços de jogo ao ar livre e algumas medidas de intervenção visando a valorização da cultura infantil”

NETO, Carlos (2000). "O Jogo e Tempo Livre nas Rotinas de Vida Quotidiana de Crianças e Jovens." Actas do Encontro Tempos Livres. A Criança, O Espaço, A Ideia ,11-21

O jogo

"Qu'il s'agisse de Mario Bros, de Lara Croft ou de Barbie, le jeu investit aujourd´hui une grande variété de supports (cartes, dessins animés, consoles de jeu...) propose une foule de produits dérivés (vêtements, matériel scolaire...) et sature les différents espaces culturels (télévision, cinéma, livres). Toutes les circulations sont premises. ...."

Gilles Brougère - La Ronde des jeux et des jouets

segunda-feira, 4 de maio de 2009



Brincar às escolinhas

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Devoirs a l'Ecole


Crianças Belgas saiem à rua no dia do trabalhador para se manifestarem contra os trabalhos escolares em casa.

O que deviam as crianças ter na Escola?

Crianças deviam ter jogos de PlayStation nas escolas

Data: 07-09-2008

Fonte: Expresso

"É urgente respeitar o brincar das crianças e reabilitar o sentido da actividade lúdica". Este é o alerta de uma investigadora da Universidade do Porto que deixa algumas propostas para as crianças descansarem do trabalho da "sala de aula".

"É urgente respeitar o brincar das crianças e reabilitar o sentido da actividade lúdica" na Escola a Tempo Inteiro, disse à agência Lusa Maria José Araújo, investigadora do Centro de Investigação e Intervenção Educativa da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.

Para Maria José Araújo, o prolongamento do horário das escolas primárias em vigor desde 2006, é "inegavelmente" uma medida "socialmente útil", mas se houver "condições físicas e humanas para o fazer" e garantia de que as actividades que se fazem com as crianças vão ao encontro dos seus interesses. O horário pós-escolar deve apostar em actividades lúdicas e culturais, em vez de "ser só actividades programadas e organizadas em função da aprendizagem escolar", afirmou a investigadora, que está a fazer uma tese de doutoramento sobre a relação entre tempo livre e tempo de trabalho escolar em espaços educativos frequentados por crianças entre os 6 e os 12 anos.

"Os adultos querem as crianças ocupadas e esquecem-se de que as crianças que frequentam o 1º ciclo são muito pequenas, que estiveram toda a manhã ou toda a tarde a trabalhar na sala de aula, cumprindo o seu ofício de estudantes, e que precisam de descansar", sublinhou.

Para a investigadora, é preciso apostar no que as crianças gostam, como jogar "playstation" e ter computadores com acesso à Internet.

"Os bons jogos de vídeo (as consolas) tanto do agrado das crianças têm imensas potencialidades que os adultos, que não jogam, não conhecem e desprezam", comentou Maria João Araújo, que tem vindo a trabalhar nas vantagens deste tipo de jogo e a tentar perceber por que é que os pais tanto resistem a deixar os miúdos jogar.

Apostar em material interessante

As escolas deviam apostar também em "boas" bibliotecas com materiais interessantes para que as crianças possam escolher, como livros, jogos e revistas, disse à Lusa, reconhecendo que já há algumas instituições a fazer isso.

Maria José Araújo defendeu ainda a reabilitação de jardins da cidade, para que os educadores possam para lá ir com as crianças, e actividades ligadas ao cinema, teatro e música para os mais pequenos descobrirem estas formas de arte.

"Muitos professores de música e de expressão plástica têm-se queixado, nas entrevistas que faço, que não têm condições de trabalho na escola ou neste programa da escola a tempo inteiro", contou.

As queixas vão para a falta de instrumentos e para as salas, que "não estão preparadas para que eles possam trabalhar com as crianças".

"Como as crianças já estão muito cansadas é o caos e isto é verbalizado por estes professores e até por muitos directores das escolas que dizem que tudo funciona pela boa vontade dos educadores e que o Ministério da Educação não sabe o que se passa", acrescentou.

Maria José Araújo salientou que os adultos têm de começar a acreditar que as crianças sabem, muito bem, entreter-se e que precisam somente que lhes seja criado o ambiente e as condições para que o possam fazer em segurança.

"Estas medidas não podem partir só das necessidades dos pais. Têm de partir das necessidades e da felicidade das próprias crianças para que não se corra o risco de acabar de uma vez por todas com a infância", rematou.


notici publicada em: Portal da Criança
http://www.portaldacrianca.com.pt/noticiasn.php?id=203

segunda-feira, 27 de abril de 2009

ITURRA, Raul e REIS, Filipe (1990) O Jogo Infantil Numa Aldeia Portuguesa. Guarda: Associação de Jogos Tradicionais da Guarda.

Segundo estes autores a “ideia de que existe uma parte das actividades de um grupo social e os seus indivíduos membros, dedicados ao que se chama trabalho e outra ao que se chama lazer, é uma distinção intelectual. (…) há uma continuidade de diversa intensidade no quotidiano de qualquer indivíduo, onde gradualmente se passa da inactividade ao repouso, à actividade ou transformação e criação das condições de vida” (1970:9). Se a vida dos adultos se organiza entre o trabalho produtivo e o lazer a da criança é dividida entre trabalho escolar, familiar e jogo e marcada por quem conceptualmente vigia o seu comportamento. É no entanto, através do jogo que se aprende a vida social, neste sentido este pequeno livro, avalia o papel do jogo, partindo de uma observação com crianças e é um exemplo de como as relações de grupo contribuem para o conhecimento e de como o jogo é a “fonte com que as ideias do saber social são actualizadas na construção social” (ibidem 29).

CUENCA, M. (1983) Educacion para El Ocio. Madrid: Actividades Escolares.

Partindo de uma concepção de tempo livre como tempo de formação, o autor considera que o aproveitamento do tempo livre é uma preocupação das diferentes instituições onde se desenvolve a criança. Neste sentido, têm crescido as “actividades extra-escolares”, nomeadamente organizadas a partir da escola. Fazendo a apologia do tempo livre, o autor refere os diferentes espaços habitados pelas crianças onde a questão se coloca como problema e/ou como solução. Questionando-se sobre se deve ou não haver uma pedagogia do tempo livre, faz uma distinção entre ócio e tempo livre a partir das teorias de Weber, Grazia, Kluthe, Volpi, entre outros. Considerando que o tempo livre das crianças é o tempo que fica depois das obrigações escolares e familiares, Cuenca propõe que este seja ocupado com jogos livres e espontâneos, argumentando que o jogo é a actividade mais natural da criança.

terça-feira, 31 de março de 2009

27 de março - Dia Mundial do Teatro

Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2009
Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Hoje é a primeira vez que um texto das comemorações do Dia Mundial do Teatro, que existe desde 1961, foi lido em língua portuguesa em seu original .

Por Augusto Boal
«Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática - tudo é teatro.Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.Em Setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa - nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias. Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: - "Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida".Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento - é forma de vida!Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!»

O dramaturgo carioca Augusto Boal, criador do mítico Teatro do Oprimido, está sendo homenageado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), por ocasião do Dia Internacional do Teatro, comemorado no dia 27 de março.
Nesta quarta-feira, em uma cerimônia na sede da UNESCO, em Paris, Boal leu uma mensagem com suas reflexões sobre o tema do "teatro e a paz entre os povos". Além de autor, diretor e teatrólogo, Augusto Boal é conhecido por ter criado o chamado Teatro do Oprimido, uma metodologia internacionalmente conhecida que alia teatro à ação social. O trabalho foi desenvolvido nos anos 60, no Teatro Arena, de São Paulo.

número de diplomados das escolas aumenta dentro desta área do espectáculo

Investigadora do ICS-UL debruça-se sobre sector teatral

Vera Borges, investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), revela que o número de diplomados das escolas aumenta dentro desta área do espectáculo.
Segundo algumas conclusões da investigadora, mais de metade dos inquiridos tem curso superior em teatro (53 por cento), grande parte dos licenciados dedica-se a esta profissão a tempo inteiro, a ineficácia das políticas culturais públicas é vista como o aspecto mais problemático da profissão de actor e o que mais agrada aos inquiridos é a possibilidade de criar um espectáculo e desenvolver uma ideia deles. Estes são alguns dos resultados preliminares do projecto de pós-doutoramento «Vivendo e trabalhando como artista: retrato dos actores e encenadores» que Vera Borges, vai concluir até ao final deste ano. O objectivo deste novo estudo é saber quem são e o que fazem os artistas portugueses nas áreas do teatro, dança e música e o impacto da sua formação inicial na inserção e no início das suas carreiras. Uma das conclusões mais interessantes deste estudo diz respeito à evolução que se verifica a nível da formação dos actores, com o número de diplomados a registar um aumento. Dos inquiridos que concluíram um curso superior em teatro, 23 por cento destes continuam este tipo de formação superior através da realização de um mestrado ou doutoramento. No entanto, não se verificam, para já, diferenças assinaláveis nos rendimentos e integração profissional destes actores quando comparados com o restante universo. @@Segundo os que foram consultados, os aspectos mais problemáticos da profissão de actor são: a ineficácia das políticas culturais públicas para o sector (81 por cento), a inexistência de um subsídio para cobrir o tempo de não trabalho (79 por cento); a precariedade dos contratos de trabalho (74 por cento) e a inexistência de uma carteira profissional que permita regular a entrada de novos profissionais (68 por cento). Criar um espectáculo é prioridade No exercício da sua profissão, aquilo que mais agrada aos inquiridos é a possibilidade de criar um espectáculo e desenvolver uma ideia (90 por cento); evoluir pessoalmente e trabalhar com diferentes encenadores /directores. A estrutura do inquérito organiza-se em torno das seguintes dimensões: início da carreira (idade, o primeiro contrato, a formação geral e a formação específica, a importância da escola e da formação contínua, workshops, etc.); a evolução do percurso profissional do artista (contratos, rendimentos, tempos de trabalho em diferentes sectores de actividade, vantagens e desvantagens da profissão); situação profissional actual e dados extra-profissionais (mobilidade geográfica, profissão dos pais e acompanhantes). Conferências sobre artistas A investigadora Vera Borges e Pedro Costa do DINÂMIA (Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica) co-organizam, este ano, um ciclo de conferências intitulado «Artistas e trabalhadores culturais: carreiras e mercados de trabalho». No ISCTE, em Lisboa, estarão reputados sociólogos e economistas da arte e da cultura para reflectir sobre esta temática: Tyler Cowen (15 de Abril); David Thorosby (1 de Julho); Pierre-Michel Menger (17 de Setembro); Françoise Benhamou (Novembro).
2009-03-26 - http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=30396&op=all

A autoridade não se impõe, conquista-se

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